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Reflexões sobre gestão: o caso Juliana Marins no Monte Rinjani

 




1. Contexto do caso

No dia 21 de junho de 2025, a publicitária brasileira Juliana Marins, de 26 anos, fazia uma trilha no Monte Rinjani (Indonésia) quando sofreu uma queda de aproximadamente 300 m abaixo da trilha após alegar cansaço e ser deixada para trás pelo guia  Apesar de estar viva e gritar por socorro, o resgate foi dificultado por terreno íngreme, neblina e clima adverso. O corpo foi encontrado quatro dias depois, em 24 de junho

2. Lições de gestão e liderança

a) Planejamento e análise de risco
Em gestão, assim como em expedições, é essencial mapear riscos antes de iniciar a operação. No contexto da trilha, subestimou-se a vulnerabilidade de um membro do grupo. Em uma empresa, isso seria equivalente a não prever cenários adversos (ex.: falhas de projeto, falta de contigência).

b) Tomada de decisão e responsabilidade
O guia permitiu que Juliana ficasse sozinha — uma falha grave de liderança no enfrentamento de riscos. Líderes devem garantir que pessoas vulneráveis tenham acompanhamento e suporte, evitando decisões que exponham indivíduos ao perigo.

c) Comunicação eficaz
Durante o resgate, houve divergências entre o que era divulgado oficialmente e o que a família relatava: “mensagens conflitantes, atrasadas e frequentemente falsas” . Em organizações, falhas na comunicação minam confiança e escalonam crises. A clareza, transparência e consistência devem ser priorizadas.

d) Gestão de crise sob pressão
O ambiente hostil exigia resposta rápida, coordenada e adaptável, reunindo equipes especializadas, drones e helicópteros. No mundo corporativo, crises demandam mobilização imediata de recursos — tecnologia, pessoal e parcerias estratégicas.

e) Responsabilidade institucional e aprendizado contínuo
Após o incidente, debates surgiram sobre a deficiência de recursos, falta de equipamentos e sobrecarga das equipes . Organizações devem documentar incidentes e implementar revisões pós-evento, promovendo melhorias e evitando repetição de falhas semelhantes.


3. Aplicação prática para gestores

PrincípioDo Monte RinjaniNo seu negócio
Avaliação de riscoAvaliar terreno, clima, capacidade física do grupoMapear dependências, vulnerabilidades operacionais
Liderança ativaManter todos sob supervisão próximaDesignar responsáveis e monitorar execução
Comunicação transparenteInformações verdadeiras e em tempo real aos familiaresAtualizações regulares e integridade na comunicação
Resposta ágilMobilizar técnicas especiais (drones, alpinistas)Acionar comitês de gestão, recursos emergenciais
Feedback da experiênciaRevisar protocolos de resgate, equipar equipesDocumentar falhas e implementar melhorias contínuas


4. Conclusão

O trágico desfecho do caso Juliana Marins é um alerta sobre como falhas na liderança, comunicação e planejamento podem agravar situações já complexas. Para gestores, seja em campo ou no escritório, esses aprendizados sublinham a necessidade de:

  • Estar sempre um passo à frente dos riscos;

  • Garantir liderança ativa e presença atenta;

  • Comunicar de forma clara, precisa e empática;

  • Estruturar respostas rápidas e coordenadas;

Quando colocamos a gestão a serviço das pessoas — garantindo segurança, suporte e verdade — elevamos o potencial de sucesso e fortalecemos a cultura organizacional.


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